1 de março de 2017

Todo carnaval tem seu fim

Na última quinta-feira, dia 23 de fevereiro, tive uma das perdas mais dolorosas da minha vida. Deus - com sua infinita bondade e sabedoria - chamou meu avô para junto dele. Seu Pedro era um senhor de sorriso doce e deixou em mim uma saudade que será para sempre eternizada pelo cheiro do seu cigarro de corda e pelo soar do acorde de seu violão. 
Por circunstâncias alheias a minha vontade deixei de estar presente no último adeus dado ao meu amado vô, o único que pude conhecer em vida. Mas Deus - novamente com sua infinita bondade e sabedoria - também sabia dos motivos que me fariam ficar em minha cidade em meio a tanta tristeza e decepção.
Eu nunca fui uma pessoa que gosta de carnaval. Geralmente eu e meus pais vamos à Minas Gerais e por lá encontramos tudo aquilo que queremos... Paz! Neste ano, para quebrar certos paradigmas, eu havia decidido que finalmente pisaria em um bloquinho. Pensei na fantasia e já tinha companhia, mas a vida me mostrou que ia mesmo ser diferente.
Durante os cinco dias de carnaval, contando a partir da sexta-feira em que todo mundo já sai do expediente literalmente pulando, estive em casa com um dos maiores amores da minha vida: meu pai. 
A minha relação com meu pai sempre foi intensa e permaneceu acima de todos os outros sentimentos existentes, mas eu nunca havia me sentido tão amada como nos últimos dias. Foram dias intensos e cheios de emoção, transparência e amizade. Foram dias do mais puro e sincero amor. Foram dias necessários. Foram dias de resgatar a verdadeira essência de viver.
Enquanto isso, entre uma visita nas redes sociais e mais um episódio da minha série favorita, pude acompanhar a alegria de meus amigos entre seus afazeres. Alguns foram viajar, enquanto outros estavam a trabalhar ou estudar, também tiveram aqueles que só pensavam em descansar e o restante continuavam a pular, muitas vezes deixando até de publicar. 
Parei para pensar por um instante sobre como cada um a sua maneira tenha aproveitado o carnaval, essa festa que parece infinita a cada ano, mas que termina com uma quarta-feira de cinzas em busca de um renascimento que virá daqui quarenta dias. Em conclusão a isso, percebi que a maioria das pessoas buscara aquilo que lhe faz feliz, seja em meio a folia ou assistindo netflix.
Deste modo, diante de dias tão felizes - mesmo com algum descontentamento - e momentos tão valiosos - que nenhum dinheiro no mundo consiga pagar - vos convido a tentar fazer a cada dia um carnaval. Por que não somos carnaval o ano inteiro? Para que esperar tanto e festejar só em fevereiro? Por que temos tanto medo de amar por inteiro? 
Que dispensem as amarras e as palavras que não foram ditas para que tenhamos dias melhores e possamos aproveitar cada segundo desta passagem que chamamos de vida. 
Hoje eu sinto saudades do meu avô, mas sei que a sua presença estará sempre comigo através do amô(r). Todo carnaval tem seu fim, mas a cada fim um recomeço.

Nathalia,
com saudades.

13 de agosto de 2016

Dia desses encontrei com ele no metrô

Dia desses encontrei com ele no metrô. Nos entreolhamos distantes por alguns minutos, acenei timidamente e ele se aproximou. 
Iniciamos uma conversa aleatória, daquelas que a gente já ensaiou o começo, previu o meio e já sabe o fim. Ah, os fins! 
Enxergar aquele sorriso irônico jogado pro lado esquerdo do rosto mais uma vez, me fez lembrar daqueles fins de longas e esperadas semanas e no suposto fim que tivemos numa dessas.
Depois de comentarmos sobre o tempo, de como estão nossas ávidas vidas, a família, o cachorro, a crise e uma receita nova do nosso doce favorito, nos vimos compartilhando sonhos. 
É incrível como nos sentimos a vontade em dividi-los com algumas pessoas, não é mesmo? E mais incrível ainda é saber que existem sonhos em comum – sincronizados – um a um, dia a dia, lado a lado. A reciprocidade dos sonhos é uma das formas mais puras de amar. Talvez por isso a esperança seja imortal a quem não deixa de sonhar. 
Voltamos à realidade e me dei conta que já era minha hora de descer. Me despedi rapidamente e escutei sua resposta monossilábica ecoando ao longe no vagão daquela estação. Segui minha rotina sorrindo, pois naquele dia tive a certeza de que nada foi e nunca será em vão. 
Dia desses espero encontrar com ele novamente no metrô ou em qualquer lugar do mundo.

Nathalia, 
encontrando sorrisos esperançosos 
no metrô ou em qualquer lugar do mundo. 

17 de julho de 2016

Minha querida incógnita

Em minhas memórias – das mais doces às mais amargas – consigo visualizar sua silhueta por ali, escondida ou provavelmente ao meu lado. Ela é bem alta, mas é bem magrinha também, então cabe em qualquer cantinho.
Quando ela entrou em minha vida não passávamos de um metro de altura, mas desde aquele tempo costumamos voar bem alto, chegando até mesmo a pular de paraquedas em algumas de nossas histórias.
Pudera eu ter uma máquina do tempo para retornar naquelas tardes com sabor de bolo de chocolate com suco de limão em que a única casa que tínhamos que arrumar era a da Barbie. 
Alguns nos perguntam se nós nunca brigamos. Ah, meros mortais! Brigar é uma coisa muito subjetiva quando uma já colocou uma pedra dentro da boca da outra ao brincar de “abre a boca e feche os olhos”, não é mesmo? Mas com toda convicção, posso lhe assegurar que não.
Ela casou, mas enquanto seus herdeiros não entram em seus planos, o quarto que sobra em seu apartamento é meu. Da mesma forma que seu marido sabe que nossa amizade já completou bodas de porcelana e que seguimos religiosamente algumas tradições as quais ele nem ousa contestar.
No quesito coração, ela sabe de todas as minhas chamadas dramaturgias amorosas. Dos primeiros suspiros apaixonados aos últimos marejados, mas sempre acompanhados.
Por falar em companhia, ela desempenha essa função com excelência para qualquer ocasião: Dividir uma garrafa de vinho, assistir um filme aleatório no cinema, viajar para a praia em plena segunda-feira, comer os doces mais açucarados do universo na TPM, assistir a shows que nunca viu o cantor... Dentre tantas outras que não caberiam enumeradas aqui.
Ela é professora de inglês, mas não se incomoda quando eu atropelo as frases cantarolando bem alto nossa canção favorita e inclusive me acompanha com os vidros do carro abertos no meio de qualquer avenida.
Entre sete bilhões de pessoas no mundo, arrisco dizer que até então ela é que me conhece melhor. Poucas pessoas nos permitem que sejamos nós mesmos sem comedimento, como nos dias nublados que despertam uma vontade de chorar e nos dias quentes que às vezes desejamos apenas silenciar. Ela me aceita e por incrível que pareça gosta de mim assim, exatamente como eu sou.
A vida fez com que ela fizesse parte da minha família e que eu me tornasse parte da dela também. Estabelecer um laço de fato é muito difícil, porque isso qualquer um faria. Logo, prefiro a rotular como uma incógnita, um substantivo bem adequado quando os sentimentos predominam o espaço de qualquer outra palavra.

Nathalia,
para sua grande amiga Jéssica.


2 de junho de 2013

Hoje eu vim aqui pra dizer que te amo...

Noite passada sonhei com você. E como todos os sonhos podem se realizar, eu posso tentar. 
Houve um tempo em que pensei que tinha todas as certezas determinadas em minha vida, eu estava errada. 
A vida nunca é exata. Não há tempo que me aguarde e não há espaço que se espera. É tudo o que eu quero e no fim das contas eu não quero mais nada.  
Por muito tempo aguardei, aguentei, me sufoquei e não suportei. 
E hoje, depois de aprender o quanto a vida é incerta posso reconhecer o tamanho do meu arrependimento. 
Por trás de muitas canções eu existo e você também. Ainda acredito. Deixa amanhecer, amanhã nós resolvemos o final. Te entendo e te completo. E volto a dizer que mesmo depois de tudo o que nós já sabemos... Eu ainda acredito. Acredito em nós. 
Hoje eu vim aqui pra dizer que te amo... Não pelo que fez, tens e parece. Amo pelo que o é. Amo por ser a única pessoa no mundo que ainda me faz enxergar o sentido desse tal do amor. 
"Você tem o tempo, mas volte. Não sei quanto tempo levaria pra reconstruir metade do meu mundo. Os problemas, a gente pode superar juntos, agora somos NÓS. EU TE AMO DEMAIS, e sei que isso é porque com você reaprendi o sentido desta última frase."



Nathalia, 
extraindo trechos de um velho e-mail.

25 de março de 2013

Permita, seja e experimente.

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor, mas permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. Então fique comigo quando eu chorar, combinado? Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca. Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família... isso a gente vê depois. Se calhar, deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos e me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar, experimente me amar!


Nathalia, 
na melhor fase de sua vida
encontrando-se nas palavras de um autor desconhecido.

17 de janeiro de 2013

E o amor? Ah, o amor.

Flores, bombons e corações. Fotografias, beijinhos e canções. O amor é mais que isso. O amor é imenso, o amor é intenso. 
Amar é adicionar, subtrair, dividir e até multiplicar. 
Amar é sorrir ao pensar e ao pensar, sonhar. 
Amar é se entender num só olhar. 
Amar é sentir no outro a sua própria felicidade e seu bem estar.  
Quem?
O amor sou eu, é você. 
Onde? 
Aqui. Ali. Na família. Nos amigos. No abraço sincero. Nos livros. Nos objetos e bichos de estimação.  No "bom dia" diário. No nascer e no pôr do sol. Na chuva e no arco íris. No sorriso infantil. No ato de escrever, falar e ouvir. Nos cheiros e nos gostos. Nos momentos mais bonitos e até mesmo nos momentos mais tristes. Na fé, na esperança e na força. 
Quando? 
Agora e sempre. Que o amor seja renovado a cada dia e a cada detalhe. Que ele permaneça, contagie e cresça. 


Nathalia
apaixonada mais uma vez. 
Amando o maior dos bens: a vida.

2 de setembro de 2012

Transição

Foi quando de um dia pro outro tudo mudou. O que tinha valor, passou a não ter e o que não tinha continuou não tendo, mas com uma intensidade maior, praticamente invisível a olho nu. Foi quando os sonhos começaram a se tornar realidade e as coisas começavam a fazer mais sentido. Foi quando a seletividade tomou conta do círculo social, que antes mais parecia um circo social. Foi quando a teoria virou prática e os medos se tornaram coragem. 
Foi de repente que a vida começou a me inspirar novamente.


Nathalia
inspirada à novidade.

16 de junho de 2012

Quarto de Dormir

Um dia desses você vai ficar lembrando de nós dois e não vai acender a luz do quarto quando o sol se for. Bem abraçado no lençol da cama vai chorar por nós, pensando no escuro ter ouvido o som da minha voz. Vai acariciar seu próprio corpo e na imaginação fazer de conta que a sua agora é a minha mão, mas eu não vou saber de nada do que você vai sentir... Sozinho no seu quarto de dormir.
No cine-pensamento eu também tento reconstituir as coisas que um dia você disse pra me seduzir. Enquanto na janela espero a chuva que não quer cair, o vento traz o riso seu que sempre me fazia rir. E o mundo vai dar voltas sobre voltas ao redor de si, até toda memória dessa nossa estória se extinguir. E você nunca vai saber de nada do que eu senti... Sozinha no meu quarto de dormir. 

Nathalia, sozinha no seu quarto de dormir
fazendo das palavras de Arnaldo Antunes as suas. 

17 de abril de 2012

A Impontualidade do Amor

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. 
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa? 
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio. 
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. 
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito. 
A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Nathalia
por Martha Medeiros
esperando o amor surpreendê-la. 

18 de março de 2012

Sempre Assim

Por mim, eu ficaria sempre assim... Curtindo um som no meu "radim".
Por mim, eu ficaria sempre assim... Lendo um livro sentada no jardim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Assistindo um filme, tomando um chá de alecrim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Conversando com minha mãe numa tarde de domingo, acompanhadas de muito pudim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Sentada com meus amigos, bebendo e rindo de qualquer coisa num botequim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Observando as coisas, timtim por timtim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Na minha e quietinha, evitando qualquer coisa ruim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Com você pertinho de mim, só mais um bucadim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Pensando, relutando, considerando. Esperando um fim. 


Nathalia
esperando um dia ficar sempre assim. 

13 de fevereiro de 2012

Luminárias e porta-retratos.

Sob a luz de uma luminária, um acústico ao fundo e um porta-retrato com sua foto ao lado fico pensando as mais improváveis situações que poderíamos ter usufruido. 
Sinto falta das tardes no parque que não existiram e dos filmes que assisti com sua presença inventada. Guardo com cautela em meus pensamentos aquele jantar à luz de velas plagiando um filme qualquer ou até mesmo aquele diálogo meloso brindado com uma taça de vinho. 
Faço os planos de nossa casa, nossos filhos e nossos bichos de estimação. Te imagino sorrindo com o pôr-do-sol ao fundo e com a brisa bagunçando seu cabelo. Nos imagino na frente do espelho, desvendando os mistérios do presente, passado e futuro que passamos, juntos. 
Faço versos e rimas na espera. Olho novamente para o porta-retrato e sei que você está ali. Não importa como, mas está. 
Seja ali ou aqui, dentro de mim onde prefiro te levar. No meu porta-retrato vivo, ilusório e paciente. 


Nathalia
sob a luz de uma luminária. 

26 de janeiro de 2012

É sempre amor.

"Ela vai mudar, vai gostar de coisas que ele nunca imaginou. Ela vai se pegar saindo para dançar jazz com os amigos qualquer noite dessas, depois de três anos evitando a boemia, indo a um barzinho com as meninas tomar chopp e comer polenta frita, ela, que não gostava de cerveja, ela, que se embrulhava toda só de ver fritura. E vai se olhar no espelho e se achar mais magra e mais bonita, consequentemente mais vaidosa e vai começar a usar maquiagem; sim, ela que nem passava corretivo vai aprender até a usar blush. E vai querer usar mini saia e salto alto, ela que odiava as pernas; e vai querer fazer corrida todas as manhãs para manter a forma, ela sim, que tinha preguiça de exercícios e odiava levantar cedo. Mas espera que ele ligue a qualquer hora, para conversar, perguntar se é tarde pra ligar, dizer que pensou nela, estava com saudade. 
Ela vai mandar mensagem no meio de uma tarde, pra dizer que lembrou dele quando assistiu Chaves, ou mandar um e-mail lembrando quando é dia 22. E ele vai ligar no meio da noite, dizendo que o Supla está no programa do Ronnie Von, eles vão rir juntos e silenciosamente, vão sentir cada um no seu canto, falta de outros tempos. Porque é amor, mesmo que acabe; é sempre amor, mesmo que mude; é sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou. 
Ele vai mudar, escolher um jeito novo de dizer alô. Vai ter medo de que um dia ela vá se mudar, que aprenda a esquecer sua velha paixão. Ele teme que ela comece a sair com outro cara, e se apaixone, e o abrace, sorria e faça rimas de amor, como fazia pra ele, só pra ele, sempre pra ele. Ela tem medo que ele encontre outra garota para mimar, que escolha outra data de aniversário de namoro, que sinta outros gostos, que experimente novas sensações, que apresente outra namorada à família. Mas ele evita ir até o telefone para conversar, pois é muito tarde pra ligar. Tem pensado nela, estava com saudades. 
Ela ouviu a música que ele gosta outro dia no rádio, leu a tirinha de jornal que tem o nome dele e viu uma xícara do Elvis numa galeria, coisa que ele adoraria ter, ele, que fazia aniversário junto com o Raul Seixas e tinha o conhecimento mais pop e variado que ela jamais vira. E ele se lembrou dela quando viu o programa da escritora que ela queria ser, quando viu nas vitrines do shopping as roupas que ela queria ter, quando olhou numa agência de turismo a viagem que ela sonhava fazer. Nunca é muito tarde para ligar, ele pensa nela, ela tem saudade. 
Mas ela ainda vai querer vê-lo bem sucedido e vai se lembrar, com muito carinho, da colação de grau em que chorou de alegria, da família dele que gosta um tanto dela e fez de tudo para deixá-la bem. Vai se lembrar do orgulho que ela sentiu ao vê-lo formado no baile, de como seu coração inchou-se todo de dançar a segunda valsa com ele, quando ele a pegou no colo e correu atrás dela para lhe mostrar uma música e a tirou para dançar diversas vezes, e como eles se divertiram e pularam e dançaram e brincaram e se abraçaram e tiraram fotos; e planejaram se casar depois de uns anos, e juraram ser para sempre. Porque é sempre amor, mesmo que acabe; é sempre amor, mesmo que mude; é sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou."


Nathalia
autor desconhecido encontrado no meio de uma velha agenda. 

23 de janeiro de 2012

...

Escrever é esquecer. 
A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.


Nathalia
pelo saudoso Fernando Pessoa.

15 de janeiro de 2012

Minha Lua

Eu, estou ao seu lado, no mesmo compasso vendo a lua aparecer. Ela me disse que passou pra ver se era amor que nascia aqui. Posso morrer na sua boca e não me arrepender.
Entra minha Lua, senta que essa cama é sua... Hoje não termina a noite, tenho só mais um segredo pra te contar. Falei com o tempo pra não se apressar, não tem mais com o que se preocupar. Descansa tua alma na minha paz.

Me diz o nome desse beijo que me faz acreditar que eu sou feliz demais.
Não sei aonde eu me escondo quando esse dia nascer pra te roubar daqui.
Até o amanhecer eu vou escapar do medo de me ver tão só, apagar a luz e te fazer de cobertor.
Uma cidade inteira espera acordada pra te ver chegar. Eu mudo a rota só pra ficar no céu que eu pintei pra te dar. Volta, não te peço nada... Só mais uma noite pra te degustar. Escuta que essa lua branca vem com todos os meus segredos pra te contar, falei com o tempo pra não se apressar...



a te esperar. 

Nathalia
por Luiza Possi
Pensando na lua e no que ela faz lembrar.

13 de janeiro de 2012

Recomeço

Tudo na vida tem um recomeço. Tudo. 
E essa tal de vida é a melhor no quesito "surpreender" e a cada dia, com as surpresas que ganhamos desta, nos tornamos mais fortes e consequentemente mais nobres de espírito. 
Por trás de toda dificuldade, existe um aprendizado e para cada aprendizado, uma pitada de amadurecimento. Por trás de toda felicidade, existe um recordação e para cada recordação, uma saudade a ser eternizada e a sensação de missão cumprida. 
Enfim, é através de um recomeço que eu inicio este novo ano. Chegou a hora de recomeçar com a cabeça erguida em busca do melhor, o melhor dessa vida. 
Recomeçar um amor, uma amizade, uma história, um sentido, uma forma, um sonho, um objetivo, recomeçar e aproveitar todo o tempo que foi perdido em vão. 
Que este seja um ano incrível de começos e recomeços à todos nós! 


"Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou, acho que só eu mesmo mudei e voltei. Eu voltei! Agora pra ficar... Porque aqui, aqui é meu lugar. Eu voltei! Pr'as coisas que eu deixei, eu voltei!"


Nathalia
Voltando mais velha, mais sonhadora e mais feliz!

12 de dezembro de 2011

Alô, a lua, amor.

─ A partir de hoje, sempre lembrarei de você ao ver a Lua. 
─ A Lua sempre terá um pedacinho teu: O brilho. Eu sou a estrela mais perto dela e o resto do universo é o que eu sinto por você. 


"A lua ainda espera. Sempre, sempre. Eu e a lua."


Nathalia
e a Lua.

26 de novembro de 2011

Sentimento Vil

Não há nada mais a sentir. Não há nada que eu queira sentir, na verdade. 
É como um bloqueio que não faz sentido. 
Não é espera, não é esperança... Não é. 
Não é como o ódio, não é como o rancor... Não é.
Nulo, chato. É isso, nulo e chato. 
Eu não gosto de sentir e sinto saudade do que sentia antes. Pudera antes sofrer de amor, do que não senti-lo. 
Belo sentimento inodoro, insípido e incolor. 


Sentimento vil, que para interpretá-lo... só quem sentiu. 


Nathalia
na chuva com ratos na cabeça. 

30 de outubro de 2011

Assim, sem querer.

Eu gosto da chuva, do vento e da brisa. 
Tenho um amor, um quarto e uma vida. 
Assim, sem querer. Só querendo dizer.

Me mantenho firme de acordo com os fatos. Às vezes me abalo.
Sinto repúdio e carinho entrelaçados.
Tudo assim somente, sem querer. 




Nathalia
...