17 de abril de 2012

A Impontualidade do Amor

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. 
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa? 
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio. 
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. 
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito. 
A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Nathalia
por Martha Medeiros
esperando o amor surpreendê-la. 

18 de março de 2012

Sempre Assim

Por mim, eu ficaria sempre assim... Curtindo um som no meu "radim".
Por mim, eu ficaria sempre assim... Lendo um livro sentada no jardim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Assistindo um filme, tomando um chá de alecrim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Conversando com minha mãe numa tarde de domingo, acompanhadas de muito pudim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Sentada com meus amigos, bebendo e rindo de qualquer coisa num botequim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Observando as coisas, timtim por timtim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Na minha e quietinha, evitando qualquer coisa ruim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Com você pertinho de mim, só mais um bucadim. 
Por mim, eu ficaria sempre assim... Pensando, relutando, considerando. Esperando um fim. 


Nathalia
esperando um dia ficar sempre assim. 

13 de fevereiro de 2012

Luminárias e porta-retratos.

Sob a luz de uma luminária, um acústico ao fundo e um porta-retrato com sua foto ao lado fico pensando as mais improváveis situações que poderíamos ter usufruido. 
Sinto falta das tardes no parque que não existiram e dos filmes que assisti com sua presença inventada. Guardo com cautela em meus pensamentos aquele jantar à luz de velas plagiando um filme qualquer ou até mesmo aquele diálogo meloso brindado com uma taça de vinho. 
Faço os planos de nossa casa, nossos filhos e nossos bichos de estimação. Te imagino sorrindo com o pôr-do-sol ao fundo e com a brisa bagunçando seu cabelo. Nos imagino na frente do espelho, desvendando os mistérios do presente, passado e futuro que passamos, juntos. 
Faço versos e rimas na espera. Olho novamente para o porta-retrato e sei que você está ali. Não importa como, mas está. 
Seja ali ou aqui, dentro de mim onde prefiro te levar. No meu porta-retrato vivo, ilusório e paciente. 


Nathalia
sob a luz de uma luminária. 

26 de janeiro de 2012

É sempre amor.

"Ela vai mudar, vai gostar de coisas que ele nunca imaginou. Ela vai se pegar saindo para dançar jazz com os amigos qualquer noite dessas, depois de três anos evitando a boemia, indo a um barzinho com as meninas tomar chopp e comer polenta frita, ela, que não gostava de cerveja, ela, que se embrulhava toda só de ver fritura. E vai se olhar no espelho e se achar mais magra e mais bonita, consequentemente mais vaidosa e vai começar a usar maquiagem; sim, ela que nem passava corretivo vai aprender até a usar blush. E vai querer usar mini saia e salto alto, ela que odiava as pernas; e vai querer fazer corrida todas as manhãs para manter a forma, ela sim, que tinha preguiça de exercícios e odiava levantar cedo. Mas espera que ele ligue a qualquer hora, para conversar, perguntar se é tarde pra ligar, dizer que pensou nela, estava com saudade. 
Ela vai mandar mensagem no meio de uma tarde, pra dizer que lembrou dele quando assistiu Chaves, ou mandar um e-mail lembrando quando é dia 22. E ele vai ligar no meio da noite, dizendo que o Supla está no programa do Ronnie Von, eles vão rir juntos e silenciosamente, vão sentir cada um no seu canto, falta de outros tempos. Porque é amor, mesmo que acabe; é sempre amor, mesmo que mude; é sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou. 
Ele vai mudar, escolher um jeito novo de dizer alô. Vai ter medo de que um dia ela vá se mudar, que aprenda a esquecer sua velha paixão. Ele teme que ela comece a sair com outro cara, e se apaixone, e o abrace, sorria e faça rimas de amor, como fazia pra ele, só pra ele, sempre pra ele. Ela tem medo que ele encontre outra garota para mimar, que escolha outra data de aniversário de namoro, que sinta outros gostos, que experimente novas sensações, que apresente outra namorada à família. Mas ele evita ir até o telefone para conversar, pois é muito tarde pra ligar. Tem pensado nela, estava com saudades. 
Ela ouviu a música que ele gosta outro dia no rádio, leu a tirinha de jornal que tem o nome dele e viu uma xícara do Elvis numa galeria, coisa que ele adoraria ter, ele, que fazia aniversário junto com o Raul Seixas e tinha o conhecimento mais pop e variado que ela jamais vira. E ele se lembrou dela quando viu o programa da escritora que ela queria ser, quando viu nas vitrines do shopping as roupas que ela queria ter, quando olhou numa agência de turismo a viagem que ela sonhava fazer. Nunca é muito tarde para ligar, ele pensa nela, ela tem saudade. 
Mas ela ainda vai querer vê-lo bem sucedido e vai se lembrar, com muito carinho, da colação de grau em que chorou de alegria, da família dele que gosta um tanto dela e fez de tudo para deixá-la bem. Vai se lembrar do orgulho que ela sentiu ao vê-lo formado no baile, de como seu coração inchou-se todo de dançar a segunda valsa com ele, quando ele a pegou no colo e correu atrás dela para lhe mostrar uma música e a tirou para dançar diversas vezes, e como eles se divertiram e pularam e dançaram e brincaram e se abraçaram e tiraram fotos; e planejaram se casar depois de uns anos, e juraram ser para sempre. Porque é sempre amor, mesmo que acabe; é sempre amor, mesmo que mude; é sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou."


Nathalia
autor desconhecido encontrado no meio de uma velha agenda. 

23 de janeiro de 2012

...

Escrever é esquecer. 
A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.


Nathalia
pelo saudoso Fernando Pessoa.

21 de janeiro de 2012

Extrapolação de Boa Vontade

Tem coisas que eu realmente não entendo. 
Não existem estudos e teorias suficientes para me convencer de que as pessoas são um poço de mistérios, assim como eu mesmo sou. 
Porém, algumas extrapolam a boa vontade de ser social, ultrapassando a linha tênue entre entendê-las basicamente e simplesmente não entendê-las.
Muitas destas pessoas, imaginam que nós receptores, temos paciência infinita ao ponto de aceitá-las quando elas querem e esquecê-las quando elas querem também.
Outras, tomam atitudes fortes diante de alguma situação sem ao menos saber o que se passa e depois voltam atrás como se nada tivesse acontecido. 
Às vezes, deixamos claro em nossas vidas o que está se passando. As pessoas enxergam perfeitamente o que você está sentindo e se elas se encaixam fazendo ou não parte deste processo. O engraçado ocorre quando mesmo assim, essas pessoas insistem em atuar de forma estranha e bagunçar toda sua vida propositalmente, deixando a minha vontade de dizer: "Fuck you, honey! Vá procurar o que fazer da sua vida!".
Estas estragam, nos confundem e nos deixam pensar naquilo que não faz sentido, como toda essa trama. Vem e vão, se contradizem, revelam-se, declaram-se e no fim nada muda. 
Na boa? Tem coisas que eu REALMENTE NÃO ENTENDO. Aliás, tem pessoas que eu realmente não entendo e me nego a querer entender. 


Nathalia
de coração apertado, feliz e dizendo não ao que não faz sentido. 

15 de janeiro de 2012

Minha Lua

Eu, estou ao seu lado, no mesmo compasso vendo a lua aparecer. Ela me disse que passou pra ver se era amor que nascia aqui. Posso morrer na sua boca e não me arrepender.
Entra minha Lua, senta que essa cama é sua... Hoje não termina a noite, tenho só mais um segredo pra te contar. Falei com o tempo pra não se apressar, não tem mais com o que se preocupar. Descansa tua alma na minha paz.

Me diz o nome desse beijo que me faz acreditar que eu sou feliz demais.
Não sei aonde eu me escondo quando esse dia nascer pra te roubar daqui.
Até o amanhecer eu vou escapar do medo de me ver tão só, apagar a luz e te fazer de cobertor.
Uma cidade inteira espera acordada pra te ver chegar. Eu mudo a rota só pra ficar no céu que eu pintei pra te dar. Volta, não te peço nada... Só mais uma noite pra te degustar. Escuta que essa lua branca vem com todos os meus segredos pra te contar, falei com o tempo pra não se apressar...



a te esperar. 

Nathalia
por Luiza Possi
Pensando na lua e no que ela faz lembrar.

13 de janeiro de 2012

Recomeço

Tudo na vida tem um recomeço. Tudo. 
E essa tal de vida é a melhor no quesito "surpreender" e a cada dia, com as surpresas que ganhamos desta, nos tornamos mais fortes e consequentemente mais nobres de espírito. 
Por trás de toda dificuldade, existe um aprendizado e para cada aprendizado, uma pitada de amadurecimento. Por trás de toda felicidade, existe um recordação e para cada recordação, uma saudade a ser eternizada e a sensação de missão cumprida. 
Enfim, é através de um recomeço que eu inicio este novo ano. Chegou a hora de recomeçar com a cabeça erguida em busca do melhor, o melhor dessa vida. 
Recomeçar um amor, uma amizade, uma história, um sentido, uma forma, um sonho, um objetivo, recomeçar e aproveitar todo o tempo que foi perdido em vão. 
Que este seja um ano incrível de começos e recomeços à todos nós! 


"Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou, acho que só eu mesmo mudei e voltei. Eu voltei! Agora pra ficar... Porque aqui, aqui é meu lugar. Eu voltei! Pr'as coisas que eu deixei, eu voltei!"


Nathalia
Voltando mais velha, mais sonhadora e mais feliz!

12 de dezembro de 2011

Alô, a lua, amor.

─ A partir de hoje, sempre lembrarei de você ao ver a Lua. 
─ A Lua sempre terá um pedacinho teu: O brilho. Eu sou a estrela mais perto dela e o resto do universo é o que eu sinto por você. 


"A lua ainda espera. Sempre, sempre. Eu e a lua."


Nathalia
e a Lua.

26 de novembro de 2011

Sentimento Vil

Não há nada mais a sentir. Não há nada que eu queira sentir, na verdade. 
É como um bloqueio que não faz sentido. 
Não é espera, não é esperança... Não é. 
Não é como o ódio, não é como o rancor... Não é.
Nulo, chato. É isso, nulo e chato. 
Eu não gosto de sentir e sinto saudade do que sentia antes. Pudera antes sofrer de amor, do que não senti-lo. 
Belo sentimento inodoro, insípido e incolor. 


Sentimento vil, que para interpretá-lo... só quem sentiu. 


Nathalia
na chuva com ratos na cabeça. 

4 de novembro de 2011

Administração pública eficiente, um direito vosso.

A Constituição Brasileira é a lei maior de todo país e contem normas pertinentes a formação de poderes, forma de governo, direitos e deveres do cidadão; deve assegurar a todos o exercício dos direitos sociais e individuais e deve ser regida pelos representantes políticos elegidos através de um processo democrático de comum liberdade expressiva. No entanto, o que deveras fora criado para garantir direitos e deveres, assim como manter regras a serem cumpridas em âmbitos de ordem social, política e econômica, não os oferece de fato, uma vez que o sistema constitucional apresenta tendências às crises políticas, a concentração de poder e à ineficácia da asseguração desses direitos.
O maior agente ativo e regulador para a aplicação da efetividade da Constituição seria num raciocínio lógico a administração pública, que representa um conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado, assim como a própria população, no desempenho da asseguração e satisfação das necessidades coletivas e básicas, como segurança cultura e saúde. Mas o que fazer quando ela própria não se cumpre de acordo com a Constituição?
A atual “Constituição Cidadã” se torna apenas um texto constitucional altamente democrático que não consegue demonstrar efetividade e limitação ao poder, o que reflete também em um baixo nível de accountabillity – controle e transparência dos gastos do governo. Consequentemente a má administração pública reproduz políticas públicas com conteúdo improdutivo, tanto por produzirem efeitos medíocres quanto por serem nocivas ao interesse geral, ou até mesmo por não serem suficientemente sustentadas, mesmo com a gigantesca carga de reguladores de riscos nas decisões legislativas.
O art. 37 da Consituição Brasileira rege que “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência [...]. Sendo parte do conteúdo da Constituição é um direito da população brasileira ser contemplada com uma administração pública coordenadamente eficiente para a regência das demais aplicações políticas que movem a sociedade do país.
Legalidade significa tornar certo, regularizado, dar ordem, é fazer ser válido mediante as normas regentes. Impessoalidade corresponde à ausência de tendências particulares, o que se opõe totalmente a mobilização de certos grupos que criam tendências para atender suas necessidades preferenciais junto aos processos políticos. Moralidade deve ser uma reflexão e uma observância da moral, que procede com justiça, com o correto, decente, honesto, íntegro, conforme a ética. A publicidade é a divulgação de produtos e/ou serviços através de meios de comunicação em massa, não objeto de propaganda política em época de reeleição. A eficiência – artifício raro! – é a capacidade de reproduzir algo realmente com efeito, qualidade de quem produz com mínimo de erros e o máximo de efetividade, produzindo o efeito esperado na competência de reunir as condições e características apropriadas para a consecução de algo, para um bom desempenho conforme as normas; é obter resultados a partir de um funcionamento esperado com uma maior economia de recursos e tempo.
Sendo esta a descrição da administração pública como deveria ser, assim como direito de todo cidadão de tê-la, chega-se então a questão se de fato esta existe nesse país.

Artigo de Isabella Medeiros, 
universitária de Gestão de Políticas Públicas 
da Universidade de São Paulo.

30 de outubro de 2011

Assim, sem querer.

Eu gosto da chuva, do vento e da brisa. 
Tenho um amor, um quarto e uma vida. 
Assim, sem querer. Só querendo dizer.

Me mantenho firme de acordo com os fatos. Às vezes me abalo.
Sinto repúdio e carinho entrelaçados.
Tudo assim somente, sem querer. 




Nathalia
...

20 de outubro de 2011

Tê-Pê-Eme

É que de repente você acorda com a pior sensação do mundo. 
Parece que tudo e todos estão contra seus princípios, que o Sol não nasceu na sua janela e que naquele dia, sua unica refeição será o "pão que o diabo amassou". Num piscar de olhos, você muda de humor e encontra um amor. O sol nasce com um brilho maior na sua janela e o tal "pão amassado pelo diabo", é o mais saboroso existente nesse mundo pavoroso.
E aí, quando você menos imagina está gritando pela casa, jogando tudo para o ar e pensando em tudo abandonar. Se recorda de maus momentos e se põe a chorar feito uma criança que perdeu a esperança daquele brinquedo ganhar. 
Quebra a unha, se acha feia, corta seu próprio cabelo e fica andando de pantufas até o fim do dia. Almoça pipoca e devora uma barra de chocolate sem culpa. Liga o rádio no volume máximo com a sua música favorita e sai cantando pra Deus e o mundo ouvir. Enfrenta o espelho e sorri. Coloca seu melhor modelo e se sente verdadeiramente feliz. Se ofende com uma indireta e ganha um dia com uma ligação, recado ou sms. 
Quer fugir e quer ficar pra sempre na casa dos pais. Quer um namorado e quer ficar pra sempre solteira. 
Escreve cartas de amor e guarda num potinho aquele amor platônico. Deseja mimos e carinhos. Se acha chata e egoísta. Se irrita, se limita.
É rotulada como louca e fica rouca de tanto gritar, descabelando-se por inteira. É ter os melhores pensamentos positivos e negativos ao mesmo tempo. É se sentir de uma forma única e horripilante. É ser dominada pela Bela e a Fera num mesmo instante. 
Ela que preferia ser homem nessas ocasiões, mas não troca sua feminilidade por nada. Isso tudo é o que ela gosta de ser. Ser mulher. E melhor ainda... Ser mulher, na Tê-Pê-Eme. 


Nathalia
sensível, mimada, chata e na TPM.

9 de outubro de 2011

Tortura confortável

Diante de um medo, acompanhado do silêncio que ecoava o vazio de uma noite supostamente fria, lá estava ela. Sentada em sua cama desarrumada, imaginando coisas das quais muitos nem imaginam que ela imagina.
Enquanto aquele tempo escorria sobre a madrugada que vinha a cair, seus pensamentos giravam em torno de seus sonhos e consequentemente para os destinos que os levariam a ser realizados.
Recebe com frequência visitas estranhas e uma certa insegurança toma conta de tudo que lhe pertence. Logo depois, preenche-se de boas vibrações e tem vontade de sair gritando que a vida é linda. Contudo, ela sobrevive com isso e se equilibra lembrando de suas verdadeiras razões por estar ali, sobrevivendo. 
Ela gosta de compartilhar risadas e falar sobre os velhos tempos. Gosta de rever fotografias e apreciar os pequenos detalhes. Gosta de sentir um abraço sincero e ouvir uma canção pela qual ela se identifique inteiramente. Gosta de sentir-se confortável, sendo tudo o que palavras nem conseguem descrever. 
Ela gosta disso, sendo isso, o seu maior pecado torturante naquela noite.


Nathalia
redigindo palavras no escuro.

6 de outubro de 2011

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!"


Nathalia,
por Paulo Sant'Ana
em homenagem à todos os meus amigos, que são minha base, minha estrutura e meu chão quando eu penso em desistir nas minhas dificuldades. 

4 de setembro de 2011

Terreno incerto

Às vezes, a vida nos prega umas peças que se tornam ligeiramente um verdadeiro tapa na cara.
É aí, que passamos a valorizar o que antes não tinha valor e enxergar que tudo aquilo que era vangloriado, não tinha nem uma pequena porcentagem disso.
Dentro de um silêncio, me acalmo e esqueço as obras que o acaso reservou dentro dessa vida.
Me recordo repentinamente de laços fielmente atados, que logo foram cortados.
Tenho a sensação de andar na contramão e ainda assim, estar fazendo o certo.
Muitas vezes, me domino do que não me pertence, mas mesmo assim, sigo e mantenho a cabeça firme, com um foco e alguns sonhos colecionados.
Por mais careta, brega e invejável que seja... É sincero e disso não abro mão.
Já dizia Lya Luft: "A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura."
E são nesses requisitos, que procuro viver de hoje em diante, a vida... Essa fantástica viagem em que só estamos de passagem.


PS: Nesta semana, dois amigos encerraram suas missões nesta vida. Com tudo isso, só me restou refletir ao ponto de que nada adianta viver em vão e levar comigo uma pobreza de espírito. Que os sentimentos mais nobres permaneçam aos sábios. Estejam em paz.


Nathalia
...

15 de agosto de 2011

Masoquismo Vascular

Amor e desamor. O dissabor de amar e a contradição de se apaixonar. 
Dentro de um martírio obscuro, me torturo. Deixa amanhecer, amanhã nós resolvemos o final com todos os sinais que habitam carregando alguma solução para meu pobre coração.
A maneira de suprir, a ausência e a solidão. 
As gotas da chuva ou até mesmo do chuveiro, se camuflam no meu corpo inteiro. E por tantas vezes o choro se apresenta como num espetáculo. E quando me olho ao espelho sou espectadora da representação do meu próprio sofrimento.
É como deixar o tempo passar a nosso favor. A favor de uma dorzinha a mais, de uma paixão a mais.
Paixão é amarga e prazerosa, disfarçada com uma colher de chá de açúcar. Amor-apaixonado recíproco, geralmente é infeliz. E se tratando apenas de amor, é amor... E isso basta. 
Ao menos, os amores desgraçados costumam render belas histórias. 


Nathalia
sem saber o sentido dessas palavras

3 de agosto de 2011

O que é perfeito?

Perfeito pode ser um choro ou um sorriso. Perfeito pode ser viajar ou ficar em casa. Perfeito pode ser um momento ou uma vida inteira. Pode ser um beijo ou um amor de muitos anos. Perfeito sempre é o seu. É o que não é esperado ou o que é muito esperado. Perfeito é a forma que dura muito ou a que não dura nada. É o que você vê ou o que não vê. Perfeito pode ser ensaiado ou improvisado. Pode ser o doce ou pode ser salgado. Perfeito pode ser uma palavra ou um número. Perfeito é tudo aquilo que nos faz bem e que sem saber porquê, a gente reconhece na hora...




Nathalia
autor desconhecido